Mais de 1.200 pessoas prestigiam Cerimônia de Abertura do 1º Congresso Muito Especial de Tecnologia Assistiva do Estado da Paraíba
“Estou emocionado, agradeço de coração a presença e a receptividade do povo da Paraíba”. Foi com essas palavras que Marcus Scarpa, presidente do Instituto Muito Especial, abriu o 1º Congresso Muito Especial de Tecnologia Assistiva da Paraíba, no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba – FIEP, na segunda-feira (16). A mesa de autoridades foi composta por: Marcus Scarpa, presidente do Instituto Muito Especial; Rômulo Gouveia, deputado federal (PSDB); Romero Rodrigues, deputado estadual (PSDB); Francisco Benevides Buega Gadelha, presidente da FIEP; José Antonio Beiral, representante do Ministério da Ciência e Tecnologia; Luiz Bruno Veloso, vice-presidente da OAB-PB; e, Delosmar Oliveira Silva, presidente do Instituto de Pessoas com Deficiência da Paraíba.
Scarpa fez um breve discurso, onde destacou o trabalho desenvolvido pelo instituto nos últimos 12 anos. Quebrando o protocolo, o anfitrião do evento anunciou a pré-formalização de um projeto da entidade com o Ministério da Ciência e Tecnologia, que premiará e incentivará trabalhos científicos em todo o Brasil, voltados para melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência física e mental. “Estamos hoje aqui em Campina Grande, graças ao apoio do deputado federal, Rômulo Gouveia (PSDB-PB), que apresentou emenda parlamentar viabilizando financeiramente o congresso e a feira, que são eventos totalmente gratuitos. Agradeço ao deputado e também ao presidente da FIEP, Francisco Benevides Gadelha, que apadrinharam esta idéia e proporcionaram este grande momento, que estou vivendo agora com vocês”, revelou Scarpa, visivelmente emocionado e sob os aplausos da multidão que superlotou as dependências do auditório da Casa da Indústria da Paraíba.
No seu discurso o presidente do Instituto Muito Especial também destacou também o objetivo da entidade de correr atrás das inovações tecnológicas, que possam inserir as pessoas com deficiência na sociedade, com acesso a uma vida digna, com trabalho e respeito. “Queremos inserir o Brasil no contexto do Primeiro Mundo, para que todos tenham dignidade e uma vida feliz e mais justa. Parabenizo a todos que apóiam o instituto. Vamos continuar agindo sistematicamente, para que as pessoas especiais superem os seus limites. Tenha certeza, o Brasil será melhor se nós nos dermos as mãos”, finalizou Scarpa.
Após o pronunciamento do presidente do Instituto Muito Especial, o presidente da FIEP, foi convidado a também se pronunciar para a platéia. O industrial disse que a Paraíba é o Estado do País com maior percentual de deficientes em relação a população (18,73%). “A FIEP sempre foi uma casa de inovação. Estamos reunidos aqui hoje para abrir oficialmente este evento, mas é fundamental que possamos aproveitar esses três dias para aprofundarmos nosso conhecimento”, afirmou Gadelha, destacando que essa era a primeira feira abrigada no novo espaço recentemente inaugurando na entidade para receber eventos dessa natureza.
Convidado a falar em nome do Ministério da Ciência e Tecnologia, José Antonio Beiral, que é Graduado em engenharia elétrica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-RJ; Engenheiro da Divisão de Robótica e Visão Computacional – DRVC, do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT; e gestor do projeto Auxilis; destacou a proficiência da cidade de Campina Grande na geração de conhecimento e tecnologia “Aqui temos muitas universidades, produzindo informação. Queremos que essa inteligência seja colocada a serviço das pessoas com deficiência. Campina Grande é realmente uma cidade muito acolhedora, obrigado pela recepção e pela presença de todos”, disse Beiral, que anunciou as negociações em torno de um novo projeto do Instituto Muito Especial, em parceria com o MCT.
O vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Paraíba, Luiz Bruno Veloso, também foi convidado a se pronunciar durante a cerimônia. Ele disse que se sentia protagonista de um momento ímpar na história campinense e realmente muito especial. “Na qualidade de juristas, nós nos identificamos muito com os objetivos do Instituto, pois defendemos que não existem cidadãos de primeira e segunda classe. Todos têm direito a uma sociedade mais justa. Essa tem sido nossa luta: a defesa da integridade da pessoa humana”, afirmou Veloso, que representou o presidente da OAB-PB, Odon Bezerra.
Após os pronunciamentos dos convidados o presidente do Instituto Muito Especial, Marcus Scarpa, convidou os participantes para o show de encerramento da solenidade de abertura, que aconteceu no ambiente reservado a 1ª Feira Muito Especial de Tecnologias Assistivas do Estado da Paraíba, que está aberta a visitação pública a partir de hoje (17) até a próxima quinta-feira (19), na FIEP. O poeta Jessier Quirino fez o show de encerramento para o público no palco da feira.
O evento segue hoje com a seguinte programação: Às 08h30m - Mesa: Tecnologia, Inovação e Inclusão Social; Prof. Julio Cesar de Melo (UFMG) e Robert Christian Mortimer (Laramara). Às 10h20m - Coffee-Break. Às 10h35m - Mesa: Inclusão Profissional – Mercado de Trabalho e o Sistema de Cotas; Romeu Kazumi Sassaki. 12:00 - Intervalo para almoço. 14:00 - Mesa: Acessibilidade Thais Frota e Silvana Serafino Cambiaghi; 5:30 - Coffee-Break; 15:45 - Mesa: Como Lidar Com as Pessoas Com Deficiência; Romeu Kazumi Sassaki
Inclusão através da tecnologia, vagas no mercado de trabalho para pessoas com deficiência e acessibilidade marcam segundo dia de evento
O 1º Congresso Muito Especial de Tecnologias Assistivas do Estado da Paraíba deu início ao seu ciclo de palestras nesta terça-feira (17) com a palestra Tecnologia, Inovação e Inclusão Social; proferida pelo professor Julio Cesar de Melo, da Universidade Federal de Minas Gerais.
Ele realizou apresentações de sistemas embutidos para software de computadores. Segundo o palestrante, o evento ajuda a divulgar a capacidade e a amplitude de tecnologias assistivas que existem a disposição das pessoas com deficiência, para que possam saber o que é acessível, podendo também, na forma de associações e institutos que atendam as demandas deles, fazerem pleitos junto à administração municipal e outros órgãos. “Precisamos que haja um maior acesso a essas tecnologias. Espero que os produtos que estão sendo expostos na feira, as palestras que estão sendo ministradas, possam divulgar cada vez mais as tecnologias assistivas disponíveis para os deficientes”, afirmou Melo.
Júlio César de Melo apresentou alguns projetos que estão sendo desenvolvidos e outros já desenvolvidos pela UFMG, no âmbito das tecnologias assistivas. O professor comparou os custos dos sistemas embutidos com os baseados em software, quanto aos preços e funcionalidades. Ele detalhou projetos como: A carteira escola para cadeirantes; O parelho fonoaudiólogo de ganho da força lingual; e, a órtese funcional de mão com impulsos elétricos, para capacitação de sinas.
Além disso, o palestrante apresentou também o DPS 2000. Trata-se de um sistema que permite ao deficiente saber o número do ônibus através de sinais vibratórios e em voz, com programação na memória. “O DPS 2000 será implantado no final deste mês na cidade de Jaú, no interior de São Paulo, onde 50 aparelhos serão cadastrados pela prefeitura e entregues as pessoas com deficiência”, finalizou o professor.
Se para pessoas ditas “normais” o acesso ao mercado de trabalho é um desafio, imaginem para os cidadãos portadores de deficiências? O tema foi abordado pelo palestrante Romeu Kazumi Sassaki, que discorreu em torno de “Inclusão Profissional – Mercado de Trabalho e o Sistema de Cotas”.
Para o especialista, O Instituto Muito Especial está fazendo o evento pela 1ª vez na Paraíba, trazendo para o Estado com maior número de deficientes do Brasil conhecimentos que estão gerando muita repercussão social. “Espero que desse evento saiam idéias e que haja um desdobramento para outras organizações e cidades também”, afirmou Sassaki.
Durante sua palestra, o público que ocupou praticamente todas as cadeiras disponíveis no auditório da FIEP, pode conhecer mais sobre Integração profissional. “A Inserção da pessoa com deficiência (PcD) em empresas que não fazem adequações necessárias para acomodar a deficiência e não conscientizam os demais trabalhadores sobre o significado de haver colegas com deficiência, pode ser inclusive prejudicial”, defende Sassaki. Segundo ele, a colocação de deficientes em empresas que se dispõem a modificar os empregos e locais de trabalho para adequá-lo à forma singular pela qual a PcD executa seu trabalho, pode ser benéfica para empregados e empregadores. “Hoje existem empresas que sempre conscientizam os demais trabalhadores sobre o significado de haver colegas com deficiência”, informa.
A Prática de inserção laboral no Brasil, nas décadas de 50, 60, 70 e 80, convivia com um paradigma da integração; Na década de 90, começou a haver uma manutenção da integração, dando início ao paradigma de inclusão; A partir de 2000, foi quando começou a diminuição da integração e o aumento da inclusão.
Na Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência: A ONU instituiu um comitê que produziu o texto com recomendações. O Brasil assinou e setembro de 2007 e ratificou e 2008. Em 2009, o Brasil promulgou e agora resta o passo final que é a regulamentação. “Atualmente no País, existem 2.200 mil empresas que abrigam deficientes, dessas, as que possuem mais de 100 funcionários abrigam 1,54% do total; e, as com menos de 100 colaboradores, dão oportunidade a 98,46% do total”, informou Sassaki.
A arquiteta Thais Frota tratou do tema acessibilidade. Ela baseou sua palestra na análise de fotos, apontando construções que dificultam a rotina de pessoas com deficiência, tirando-lhes a autonomia. Segundo a especialista, O 1º Congresso Muito Especial de Tecnologias Assistivas do Estado da Paraíba é muito importante para as pessoas conhecerem um pouco do universo da pessoa com deficiência. “Tecnologia Assistiva é um assunto que tem que ser popularizado e um evento como este deveria acontecer todo semestre. As pessoas que estão vindo ao evento são formadoras de opinião e passarão noções do que é acessibilidade, porque que se deve projetar pensando na comunidade com um todo. Pude ver que a cidade de Campina Grande possui rampas com indicações pra cadeirantes, mas as calçadas precisam de reparos”, avaliou Frota.
Expositores da 1ª Feira Muito Especial de Tecnologias Assistivas da Paraíba revelam que suas expectativas foram superadas no evento de Campina Grande
Os expositores estão muito satisfeitos com a quantidade e qualidade do público que tem visitado a feira desde o dia 17 de Agosto
Devido a grande divulgação da mídia paraibana em torno da 1ª Feira Muito Especial de Tecnologia Assistiva, o público presente no evento tem superado às expectativas do expositores. Para Luiz Phelipe Nobre, presidente e fisioterapeuta da Adaptsurf, a feira é muito importante pra trazer novas alternativas pra pessoas com deficiência, promovendo vários projetos relativos à acessibilidade, tecnologia assistiva e ajudando ainda mais as pessoas com deficiência. “Essa feira aqui na Paraíba trouxe um grande público e nós queremos mostrar que é possível também, um deficiente ir a praia e surfar, ter contato com a natureza”, avaliou Nobre.
Wanda Gomes, designer da WG Desenvolvimento de Produtos e Serviços, concorda com seu colega de exposição. Para ela, difundir o processo de impressão em braile, que não perfura o papel, é fundamental. “Pra gente foi muito interessante vir a feira em Campina, porque nunca estivemos no Nordeste e esse novo trabalho merece divulgação, porque teremos livros em braile com menos volume”, disse Gomes.
A feira tem recebido ampla cobertura da imprensa campinense e na manhã desta quarta-feira (18), foi prestigiada com um programa especial transmitido ao vivo do stand do Instituto Muito Especial, na FIEP, pela Rádio Campina FM. O jornalista Arimatéa Souza conversou com expositores e palestrantes, durante a apresentação do seu programa, Campina Grande Notícia.
Júlio Melo, inventor do DPS 2000 e sócio da Geraes, foi um dos entrevistados no programa da Rádio Campina FM. Ele disse que as tecnologias assistivas são fundamentais para a inclusão social. “Minhas expectativas tem sido superadas porque é importante divulgar o sistema do DPS 2000 pra que os deficientes visuais, que são o público alvo, tomem conhecimento que trata-se de uma solução tecnológica eficiente para acabar com uma limitação de transporte, proporcionando maior autonomia”, explicou o professor da Universidade Federal de Minas Gerais.
Neste terceiro dia de congresso o dia começou com uma palestra sobre Tecnologia Assistiva e Inovação – Medicina e Reabilitação, com a Dra. Patrícia Helena Cereguin (AVAPE). Também aconteceu no auditório da FIEP, uma mesa com Depoimentos de Usuários, coordenado por Marcela Cesário (Embratel). Depois do almoço aconteceu a palestra Tecnologia Assistiva e Inovação – Softwares, com Antonio Borges (UFRJ). O tema, Tecnologia Assistiva e Inovação – Educação, foi tratado pela Dra. Maria das Graças Ribeiro (UFMG), no encerramento das atividades do dia no congresso.
Instituto Muito Especial comemora o sucesso do 1° Congresso e 1ª Feira de Tecnologia Assistiva e Inclusão Social da Paraíba
Após quatro produtivos dias, chegam ao fim o 1° Congresso e a 1ª Feira Muito Especial de Tecnologia Assistiva e Inclusão Social das Pessoas com Deficiência da Paraíba, realizado na Federação das Indústrias do Estado da Paraíba - FIEP. O evento superou todas as expectativas em termos de organização, estrutura física e inclusão, oferecendo todo o aparato necessário para melhor receber seus visitantes.
Com 12 anos de existência, o Instituto Muito Especial finalmente trouxe o evento para a Paraíba, oferecendo ao Estado uma oportunidade única de aprender a olhar o outro sem distinções ou preconceitos. Vale ressaltar que Campina Grande foi privilegiada por receber o Congresso e a Feira simultaneamente, proporcionando ao público o máximo de conhecimento e de novas experiências que certamente serão aprofundadas no próximo ano, quando o Instituto realizará a segunda edição do evento.
Nesses quatro dias de inclusão o Instituto ofereceu gratuitamente ao público: 11 mesas, nas quais participaram 17 palestrantes que relataram experiências próprias e apresentaram projetos para melhorar a vida das pessoas com deficiência, intérpretes de libras para legendar as palestras e facilitar a comunicação entre as pessoas com deficiência auditiva e sem deficiência, 27 expositores que trouxeram o que há de mais inovador em tecnologia assistiva e 11 apresentações artísticas.
Não é por menos que o evento obteve um público recorde,eem média 1.500 pessoas (entre organizadores e participantes), estiveram presentes diariamente na FIEP, prestigiando o Congresso e a Feira. O público literalmente abraçou a causa proposta pelo Instituto Muito Especial, que em troca agradeceu a receptividade e mostrou-se realmente satisfeito, firmando o compromisso de que outras edições certamente virão.